Incendios em Portugal @ Monchique Discovery 2018

Incendios em Portugal @ Monchique Discovery 2018

Os incêndios florestais em Portugal são numerosos e são uma emergência que se atende hoje em dia mediante os planos de emergências para incêndios florestais. Informação geral sobre os incêndios florestais pode ser consultada na página oficial do Ministério do Ambiente.[1]

Este artigo pretende estabelecer uma cronologia dos incêndios florestais que assolam Portugal todos os anos, especialmente durante o Verão.

Caraterização

S√£o das cat√°strofes naturais mais graves em¬†Portugal, n√£o s√≥ pela elevada frequ√™ncia com que acontecem e dimens√£o que alcan√ßam, como pelos efeitos destruidores que causam. Para al√©m dos preju√≠zos econ√≥micos e ambientais, podem criar uma fonte de perigo para as popula√ß√Ķes e bens.

Os inc√™ndios florestais s√£o considerados cat√°strofes naturais, mais pelo facto de se desenvolverem na¬†natureza¬†e por a sua possibilidade de acontecimento e caracter√≠sticas de divulga√ß√£o dependerem de fatores naturais, do que por serem causados por¬†fen√≥menos¬†naturais. A interven√ß√£o humana pode desempenhar um papel decisivo na sua origem e na limita√ß√£o do seu desenvolvimento. A import√Ęncia da a√ß√£o humana nestes fen√≥menos diferencia os inc√™ndios florestais das restantes cat√°strofes naturais.

Os anos de 2003 e 2005 foram os anos mais tr√°gicos em Portugal, arderam 425.839 e 339.089¬†hectares¬†respetivamente. Em 2014, por contraste, arderam somente 19.930 hectares. Em 2016, os inc√™ndios voltaram a Portugal com grande intensidade, ap√≥s um ano chuvoso, devido √†s condi√ß√Ķes climat√©ricas extremas (temperaturas acima dos 40 graus em todo o pa√≠s).[1]¬†At√©, 12.08.2016 j√° tinham ardido mais de 100.000 hectares, uma √°rea superior a metade de toda a √°rea ardida na Europa nesse ano.[2]

Floresta queimada no Algarve, Portugal

V√°rios estudos apontam para que as causas humanas sejam prevalecentes.¬†No estudo¬†efetuado em 2012, que analisa as causas de inc√™ndios florestais em Portugal continental, entre 1996 e 2010, verifica-se que 90% dos casos “tem origem em atos humanos, negligentes e intencionais”. Observa-se que o “incendiarismo” (885) e o acidente/neglig√™ncia”[2]¬†(866) s√£o apontados como respons√°veis pelo mesmo n√ļmero de ocorr√™ncias, nos fogos cuja causa foi determinada. Contudo, a amostragem n√£o √© aleat√≥ria dado que todos os inc√™ndios com suspeita de origem criminosa t√™m prioridade na investiga√ß√£o. Assim, os autores do estudo concluem que a “origem criminosa” enquanto causa de inc√™ndios florestais est√° empolada.

Contudo, e numa base opinativa, o presidente da Liga dos Bombeiros, em 2015, afirmava que cerca de 75% dos incêndios florestais em Portugal são de origem criminosa e os restantes 25% são devidos a casos de negligência.[3]

1966

Em 6 de Setembro de 1966 um fogo na serra de Sintra causou a morte de 25 militares do Regimento de Artilharia Anti-Aérea Fixa de Queluz, quando tentavam combater as chamas.[4]

1985

Em 8 de setembro de 1985, em Armamar um incêndio matou 14 bombeiros.[5]

1986

Na noite de 14 de junho de 1986, num inc√™ndio em¬†√Āgueda¬†perderam a vida 16 pessoas: 13 Bombeiros das Corpora√ß√Ķes de Bombeiros Volunt√°rios de √Āgueda e de Anadia e tr√™s Civis da regi√£o de √Āgueda.[6]

Campanha de prevenção (2007)

Portugal sem fogos depende de todos é uma campanha lançada em 2007 para lutar contra os fogos em Portugal.

Até 30 de Setembro,[7] em zonas florestais é absolutamente proibido:

  • Fumar¬†ou fazer lume de qualquer tipo
  • Lan√ßar foguetes ou bal√Ķes de mecha acesa
  • Realizar queimadas para renova√ß√£o de pastagens
  • Queimar sobrantes agr√≠colas ou¬†florestais

Porque Portugal sem fogos depende mesmo de todos, foi recentemente aprovado um Despacho Conjunto, da responsabilidade dos Ministérios da Administração Interna e do Trabalho e Solidariedade Social, que permite o recrutamento de cidadãos em situação de desemprego para trabalhos de prevenção e detecção de incêndios florestais.

Evolução da área florestal ardida anualmente em Portugal

2008 foi o ano em que a área ardida foi menor desde 1980. O pior ano continua a ser o de 2003. O gráfico apresenta a evolução da área de floresta ardida em virtude de incêndios florestais em território nacional desde 1980.

2004

Data Dura√ß√£o Zonas afectadas Unidades de combate √Ārea
ardida
Fonte
Homens Veículos Meios aéreos Outros
25 de Julho de 2004 Serra de Montaria, Viana do Castelo 44 13 1 1 [3]
18 de Julho Vila Seca, Tábua 68 17 4 [4]
27 de Junho algumas horas Covão, em Colares 36 11 0
at√©¬†25 de Julho √Čvora 52 16 [5]

2005

Data Dura√ß√£o Zonas afectadas Unidades de combate √Ārea
ardida
Fonte
Homens Veículos Meios aéreos Outros
Julho Vários dias Albergaria-a-Velha  ?  ?  ?  ? 1201 ha
~17.07 Casais Velhos (Montemor-o-Velho) 14 4 4 [6]
~17.07 Ferrugenta (Figueira da Foz) 52 17 [7]
~17.07 Alvega (Ourém) 43 11 2 [8]
~17.07 Muge (Salvaterra de Magos) 86 26 [9]
~17.07 Lavegada (Tomar) 24 6 [10]
~17.07 Sabugal 51 11 [11]
~17.07 Paços (Sabrosa) 20 4 [12]
~05.08 Valongo 22 6 [13]
~05.08 Paredes 40 11 [14]
~05.08 Arouca 60 20 [15]
~05.08 Vale de Cambra 118 31 [16]
~05.08 Oliveira de Azeméis 20 5 [17]
~05.08 Vagos 46 14 [18]
~05.08 Sever do Vouga 30 7 [19]
~05.08 Cantanhede 126 31 [20]
~05.08 Almagreira (Pombal) 28 8 [21]
~05.08 Ch√£o de Gaia (Pombal) 21 5 [22]
~05.08 Leiria 1 1 3 [23]
~05.08 Bai√£o 11 3 [24]
~05.08 Ponte de Lima 47 14 [25]
~05.08 Amial (Castro Daire) 20 6 [26]
~05.08 Fareginhas (Castro Daire) 65 20 [27]
~05.08 Antas (Penalva do Castelo) 65 20 [28]
~05.08 Campina (Penalva do Castelo) 67 16 [29]
~05.08 Castelo Novo, Fundão 47 11 1* [30]
~05.08 Cavern√£es (Viseu) 39 12 [31]
~05.08 Tomar 15 5 [32]
~05.08 Marv√£o 137 39 1 [33]
~05.08 Olival (Ourém) 84 25 [34]
~05.08 Resouro (Ourém) 136 38 [35]
~05.08 Alcanena 144 43 [36]

Distrito do Porto

A 18 de Julho de 2005 a zona mais atingida por incêndios é o distrito do Porto, com 527 incêndios, 2902 fogachos e 3890 ha de zona ardida.

Per√≠odo N¬ļ de fogos √Ārea ardida (ha) Detalhes
1987 7705 76268 Povoamentos: 49848 ha, Mato: 26420 ha
1988 6131 22434 Povoamentos: 8627 ha, Mato: 13807 ha
1989 21896 126237 Povoamentos: 62166 ha, Mato: 64071 ha
1990 10745 137252 Povoamentos: 79549 ha, Mato: 57703 ha
1991 14327 182486 Povoamentos: 125488 ha, Mato: 56998 ha
1992 14954 57012 Povoamentos: 39701 ha, Mato: 17311 ha
1993 16101 49963 Povoamentos: 23839 ha, Mato: 26124 ha
1994 19983 77323 Povoamentos: 13487 ha, Mato: 63836 ha
1995 34179 166330 Povoamentos: 85246 ha, Mato: 81084 ha
1996 28626 83045 Povoamentos: 10574 ha, Mato: 72471 ha
01.01.2004‚ÄĒ10.07.2004 20039
01.01.2005‚ÄĒ10.07.2005 29580

2017

O Incêndio florestal de Pedrógão Grande em 17 de junho de 2017, causa 64 mortos e cerca de 200 desalojados.

Em 15 de Outubro de 2017 foram registados, num dia,¬†523 inc√™ndios, que causaram pelo menos 38 mortos e cerca de 70 feridos. Este foi considerado o pior dia de inc√™ndios de sempre em Portugal. Os piores fogos foram registados na regi√£o Centro e Norte, nomeadamente Viseu (distrito mais fustigado) e Coimbra, e entraram dentro de diversas cidades, vilas e aldeias acabando por destruir dezenas de casas e ind√ļstrias.

Os dados oficiais do ICNF indicam que até 30 de setembro havia 215 988 hectares de área ardida.[8]

Entre o in√≠cio do ano e o final de outubro, arderam em Portugal mais de 440 mil hectares de floresta e povoamentos ‚ÄĒ o que corresponde a quatro vezes mais do que a m√©dia registada nos dez anos anteriores.

Ardeu mais 428% do que arde, por norma, em anos anteriores (mais 358 mil hectares, totalizando um n√ļmero superior √† √°rea total do distrito de Coimbra), o maior n√ļmero registado desde 2006.[9]

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